Mundo de Oz

Diziam parentes que vc era um ser desajustado pra sociedade conservadora.
Ao passar os fins de semana e várias das minhas férias ao teu lado, pude provar que é o contrário: a sociedade que está super desajustada pra viver seres puros como vc.
A primeira vez que fui pra São Vicente, foi com vc e tia Ivone, e várias lembranças boas marcam a sua existência no mundo e em meu coração: quando vc alugou um barco onde remamos as minhas primeiras léguas marinhas e tiramos muitas fotos, mas eu falhei na hora de colocar o rolo do filme e nenhuma imagem foi registrada; ou quando tatuava pessoas e eu admirava, vislumbrado com aquele talento todo, tendo vc como uma referência visual. Lembro quando vc defendeu a tia de uns caiçaras machistas valentes; depois defendeu a família contra aqueles inquilinos perturbadores, ali eu conheci um super herói de verdade. E quando vc sorria pra tia se eu dizia alguma bobagem. (…) Observava a sua postura e me idealizava nela, na sua coragem e no seu jeito reservado e tão amoroso e pacífico com as crianças. O gosto das pizzas que nós comemos juntos e vc me deixava sempre escolher o sabor, saboreio apuradamente no paladar da minha memória. As flexões que exerço diariamente remetem vc.
Eu adorava o teu sorriso.

Só me arrependo de ter procrastinado tanto o nosso próximo encontro. Hoje vc partiu e me deixou uma saudade apertada; e com ela a constatação do quanto a sociedade está desajustada pra viver seres tão puros, reservados e inteligentes como vc.
Quero viver,
E elevar a sua existência e de sua arte pro maior número de gente que eu puder, para que todos saibam que os super heróis são reais, mas diferente dos desenhos, são de carne e osso e tempo. Porém também são imortais, porque deixam obras atemporais. O papel. As tintas. Cada olhar. Cada som… Tudo brilhará.

Obrigado e perdão por todas as vezes que abafei de dizer o quanto amei cada segundo ao teu lado e da tia Ivone.
Que as lágrimas reguem a tua luz nos céus.

(Para tio Oscar)

D.

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Peteca

Dizem, os estultos, que meninas não podem empinar pipas, nem meninos de boneca ou bambolê. As más línguas esbravejam: meninos não podem chorar ou temer o escuro, nem ter brilho na face nem sandália usar. Os seres atroz que pensam assim, de nada valem, de nada sabem, pois o saber é o que o faz valer. Continuar lendo

Outros Ouros Tolos (dichavando)

Boa tarde do primário dia frio que se inicia neste julho charmoso, onde cancerianas e cancerianos lidam felizes com o passar de mais um inverno brasileiro em suas vidas. O meu amor, neste exato momento, está sentado na lavanderia concentrado na produção de um filtro dos sonhos quase finalizado. Tá ficando lindo! Meu cão dorme no pé da cama com a cabeça virada na minha direção; cochilou, me observando alternar o olhar para ele e para o meu computador de tela quebrada, mas funcionando perfeitamente. O almoço prometi fazer após concluir este texto que penso em escrever aqui já faz alguns dias, e somente agora resolvi pari-lo da mente. Como você pode ver o meu Brasil tá normal, tá bonito pra mim. Quem me cerca tá do meu lado, literalmente.

O problema é o NOSSO Brasil; o meu e o seu em conjunto. Uma vez eu li uma frase da minha ídola Marina Lima que diz assim: “Como podemos ser feliz vendo o nosso semelhante infeliz?” – o que me provocou uma vigorosa reflexão sobre o olhar das pessoas para este mundo em que vivemos. Meu coração se expôs em palavras de reflexões crônicas. Boa leitura! ♥  Continuar lendo

Sarau Café com Poesia (Vídeo)

Diego Borges,
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Claudel_Paul

“Os grandes escritores nunca foram feitos para se submeter à lei dos gramáticos; mas para imporem a sua.”
Ufa!!

Paul Claudel, 1954

D.

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Meu Nude

Se pra você eu sou tarde, eu me explico:

É que antes de eu sair do armário, resolvi fazer uma faxina nele; queimei as roupas que os hipócritas imorais me vestiu em suas mentes sujas. Agora eu ando nu! Continuar lendo